Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

Depois de tantas e tão ilustres
perorações sobre a infame ocorrência pela qual, ontem, em Paris, foram
assassinados quatro acérrimos defensores da liberdade de expressão e do livre
arbítrio – aqui entendido no seu mais assumido significado de vida em prol da
comunidade –, assassinados eles a par de vários outros seres humanos cuja única
e funesta circunstância terá sido o de se encontrarem naquele local e naquela
hora hedionda, pouco mais há a dizer que perturbe um silêncio reflexivo.
Mas uma coisa me parece clara por
entre a espessa neblina dos interesses e hipocrisias instalados: qualquer ser
humano (?) que manifeste, por pensamentos e actos, o seu tão flagrante desprezo
pela vida humana alheia, apenas pode e deve esperar dos demais um pagamento na
mesma moeda.
Entretanto, não é despiciendo que
a Humanidade no seu todo, se me for perdoada a redundante tautologia, colha
mais esta sangrenta lição que aponta para a urgência de progressiva e
incessante diminuição das assimetrias que, no mundo todo, geram os pântanos
insalubres onde medram tão abjectas criaturas como aquelas que ontem, em
Paris, dispararam infamemente contra homens desarmados, cujo único senão era o
de pensarem de modo diferente.
Vítimas estas, sim, gente como eu
e tu, que acreditam que a redenção do ser humano se encontra nele próprio, na
sua conjugação com os demais. 

começando bem o ano…

… pelo Alentejo, onde o nosso olhar se perde sempre em cada momento em que se encontra. Aqui foi Montemor-o-Novo e o seu castelo, em pôr-do-sol captado sem artifícios tecnológicos, a transportar-nos para outro tempo – dir-se-ia intemporal – em que somos invadidos por tantas coisas indizíveis que redescobrimos, de novo e sempre, o quanto a vida vale a pena.

Bastará pararmos um pouco a olhar para ela, invadidos pela imensidão de um pôr-do-sol. 

nos dez anos do Sete Mares

Pois é verdade, quase sem se dar por isso lá vamos indo com o tempo e, de súbito, dez anos foram vividos. Sempre imprevisivelmente. Mas sempre.
Partilho com múltiplos afectos esta realidade que é o Sete Mares, assim como várias outras actividades, não apenas de índole cultural, nas quais cumpro os meus dias. Com os outros. 
Não terei muito para dar além disso. Como José Gomes Ferreira disse, penso nos outros, logo existo. Mais do que lema, um modo de estar vivo. 
Assim sendo, com os meus votos para que 2015 seja um ano que nos alerte para o assumir cidadanias, aqui fica o meu reconhecimento e gáudio pela vossa companhia.   

Dezembro
e já trinta e um
Dezembro
e já trinta e um
e lá passámos pelo tempo
sem que o tempo em nós
ficasse
ou desse sinal algum
a não ser naqueles sinais
que o tempo deixa a quem
passe
e faremos as promessas
das festas do solstício
que amanhã será início
de fazer tudo às avessas
e de havermos de mudar
mudar de ar
ou de roupagem
faremos talvez a viagem
há tanto tempo a esperar
mas há sempre algo a mudar
e tontos menosprezamos
cada segundo em que o mundo
tudo muda de lugar
e com o mundo mudamos
e com ele também rodamos
em espiral
se calhar
e lá vamos
sempre em frente
sempre ao sabor da corrente
que o tempo também consente
a fazermos do presente
esse futuro a chegar
e nada disso é indiferente
somos nós só a andar…
  
– Jorge Castro

31 de Dezembro de 2014

É Natal, não é?

Amizades,
Com tanta mensagem natalícia nesta infinidade de meios comunicacionais, confesso que hesitei em perturbar a vossa paciência com mais uma… Mas cá fica, porque sim, no entanto com o pedido expresso (ou delta café, se preferirem…) de ela não carecer de resposta. Considera-se, pois, automaticamente respondida (por este ou por qualquer outro meio), para vosso alívio e conforto – fica, assim, de mim uma pequena prenda sem jeito mas sem encargos de qualquer espécie.
Porquê, perguntar-me-eis. Pois pela profunda consciência de que não há – para ninguém – tempo ou disponibilidade para se responder aos milhares de mensagens recebidas que os novos meios de comunicação existentes proporcionam. 
Por mim, o simples facto de estar a enviar esta mensagem, significa tão-só que cada receptor que por se passeie teve, nalgum momento, e tem importância na minha vida. Daí a resposta não ser necessária, por razões que eu presumo óbvias. 
E cá vai:

Neste natal…

neste Natal
que ressalta
no sobressalto em que passo?

não me dês as boas-festas
que talvez te façam falta…
empresta-me o teu abraço
e relembremos as gestas
onde em nós luzia apenas
alguma estrela no olhar
onde eram tão pequenas
as prendas feitas de afectos
entre os avós pais e netos
mas tão grandes no cuidar
prendas tão mais solidárias
conjugando a vozes várias
as formas do verbo amar

neste Natal sem poesia
dá de ti tão simplesmente
o que de bom tens p’ra dar
esse abraço
a companhia
e muito principalmente
a alegria sempre urgente
que tu possas partilhar…

Dos «políticos», transitórios e circunstantes, havemos de saber que estão de passagem, Nós, não, estamos para ficar. Por algum tempo, talvez, mas muito mais dilatado que aqueles. E cá estamos.
Então, festinhas das melhores para todos, um prazenteiro 2015 e, sim, com um forte abraço de

Jorge Castro (OrCa)

(Nota de rapa-pé – Esta a mensagem que remeti a todos os elementos constantes da minha extensa lista de endereços. Como seria previsível, ela colheu, afinal, uma magnífica girândola de respostas em forma de poemas, desenhos, singulares manifestações solidárias, ecos múltiplos que, para vos falar com franqueza, enriqueceram o meu Natal. Assim, pois, o meu reconhecimento, publicamente lavrado, a quantos tiveram paciência para me ler).

É Natal, viva a terra em paz… E vai ele, zás! – Não sei porque me ocorreu esta passagem de uma qualquer passagem da minha vida, mas a nossa cabeça tem meandros que a razão desconhece e, uma vez por outra, devemos dar-lhe livre curso.
Não a propósito, mas também muito antes pelo contrário, aqui vos deixo, como presente também próprio para a quadra – Natal é quando um homem quiser… – duas sugestões nascidas pelas mãos de duas amizades recentes com quem deparei na Pharmácia de Cultura Buédalouco, no Bairro Alto, em Lisboa, em tertúlias de ser e de estar: Arthur Santos e Rosário Narciso.
Dois livros, um mar de poemas, muito próximos desta quadra, assim como quem se senta ao borralho da lareira, olhando embevecido o fogo primordial. 

– De Arthur Santos, Envelope de Poemas com 60 Destinatários, onde acolhi a graça de também ser contemplado.

– De Rosário Narciso, Uma Pausa ao Luar, recomendação mais do que oportuna neste mar de atribulações e de foguetório inquietante em que andamos mergulhados.
Estive tentado a reproduzir, em jeito de homenagem, um poema de cada um destes novos amigos. Mas pensei melhor e a recomendação mais útil que deles vos posso fazer é a seguinte: contactem-nos e encomendem os respectivos livros. Para isso, utilizem os seguintes emails:
Arthur Santos – jbs.artur@gmail.com
Rosário Narciso – mmmrosarinho@gmail.com

Borlas nunca mais – artigo de Miguel Esteves Cardoso, no Público

Tive conhecimento deste artigo, da autoria de Miguel Esteves Cardoso, cujo conteúdo tem sido o cerne de muita e brava discussão sobre esta mania «institucionalizada» de que as actividades do foro cultural devem ou podem ser gratuitas, ou melhor, à borla.

Dinheiro para o foguetório há sempre. Para a cultura… enfim, é ler o artigo abaixo, que, também com a devida vénia, subscrevo integralmente:

Todos os dias chegam convites para borlas. Para escrever à borla. Para falar à borla. Para ser filmado à borla. Para ser gravado à borla. Não há dinheiro, dizem. Já se sabe como é, explicam. É só por isso que pedem borlas. Se pudessem, adiantam, pagariam o que eles acham que nós merecemos: é muito.
As pessoas que pedem borlas não trabalham à borla. Recebem dinheiro, têm ordenados, arriscam lucros. Custa-lhes muito pedir que trabalhemos de borla — porque eles não.
Há quem trabalhe de borla num projecto pelo qual está apaixonado e espera que nós, apesar de os projectos não serem nossos e de nós não estarmos apaixonados por eles, trabalhemos de borla — na esperança de que também nos apaixonemos por ela. Pois sim.
Até há quem acredite que nos está a fazer um favor, achando que a borla que nos pede é uma maneira de participarmos: uma oportunidade de melhorarmos a (má) “imagem pública” que temos.
Os piores são os excepcionais. Mandam mails a dizer que sabem que detestamos borlas mas que o convite deles é diferente, por ser tão fascinante. E depois pedem uma borla como todos os borlistas desde que a ideia de o trabalho ser pago foi inventada.
Será que a palavra convidar perdeu os sentidos? Convidar é o contrário de pedir trabalho. Convidar é aliciar para o ócio e para o prazer. Se o convite envolve despesas (ir a um restaurante) é quem convida quem paga. Agora já é o convidado.
Os borlistas são piores do que bullies: são os novos esclavagistas.

convites / sugestões

Sempre, sempre, com um (ou mais) poema(s) à ilharga, aqui vos deixo duas sugestões de eventos em que também participarei:
1. Dia 06 de Dezembro, em Carcavelos, com organização de Sérgio Guerreiro:

2. Dia 07 de Dezembro, em Coruche, com organização de Ana Freitas:

É entrar, senhorias, a ver o que por lá se lavrará!

convite/sugestão
n’A BARRACA, hoje, 1º de Dezembro
pela independência nacional

Deixo-vos o texto de Hélder Costa alusivo a esta sessão:

COMO DESAPARECEU O FERIADO de 1 de DEZEMBRO ACHAMOS MUITO CONVENIENTE RECORDAR COMO NASCEU PORTUGAL E COMO LUTOU PELA INDEPENDÊNCIA.
I PARTE:
D. Afonso Henriques foi o fundador do Reino de Portugal e o seu primeiro rei, com o cognome O Conquistador, O Fundador ou O Grande pela fundação do reino e pelas muitas conquistas. Para isso teve de lutar contra a fidalguia Galega e os mouros que ocupavam grandes territórios do centro e sul. Com o apoio de cruzados do norte da Europa conquistou Lisboa em 1147. Será interpretado por Carlos Carranca, professor do ensino superior, poeta, e referência do “fado de Coimbra” como autor e cantor. 
Gomes Freire de Andrade foi um general português de extensa carreira militar.Foi auxiliar das forças navais espanholas de Carlos III de Espanha no bombardeamento de Argel, serviu na Rússia no exército de Catarina II ,veio a integrar a “Legião Portuguesa” criada por Junot, e participou na campanha da Rússia de Napopleão. Em 1801 reúne-se em sua casa a assembleia que levou à organização definitiva daMaçonaria Portuguesa, com a posterior criação do Grande Oriente Lusitano em 1802, sendo eleito como um dos seus principais dignitários. Veio a ser implicado e acusado de liderar uma conspiração em 1817contra a monarquia de Dom João VI, sendo detido, preso, condenado à morte e enforcado junto ao Forte de São Julião da Barra, em Oeiras. Será interpretado por António Lopes, historiador .
Vlad III, Príncipe da Valáquia ou Vlad, o Empalador, é mais conhecido pela sua política de independência em relação ao Império Otomano e pelas punições excessivamente cruéis que impunha aos seus prisioneiros. É lembrado por toda a região como um cavaleiro cristão que lutou contra o expansionismo islâmico na Europa, e é um herói popular na Romênia e na Moldávia ainda hoje.
Ao mesmo tempo em que Vlad III se tornou famoso por seu sadismo e sendo taxado de louco, erarespeitado pelos seus cidadãos como guerreiro, pela sua ferocidade contra os turcos e como governanteque não tolerava o crime entre os seus subordinados. Durante o seu reinado, ergueu grandes mosteiros.
Fora da Romênia, ficou célebre pelas atrocidades contra os seus inimigos, que teriam sido a inspiraçãopara o conde Drácula, vampiro de Drácula, romance de 1897 do escritor irlandês Bram Stoker.
Jorge Castro, poeta e assistente de gestão, irá demonstrar-nos a complexidade desta figura histórica.
II PARTE:
– Poemas e fados de Coimbra por Carlos Carranca
– Poemas por Jorge Castro
RESERVAS: 213965360

sugestão/convite

Apresentação, em Fanhões, do mais recente livro de Ernesto Matos, com co-autoria de Lonha Heilmair, uma vez mais e sempre em prol da autêntica calçada portuguesa que, não sendo (ainda?) património imaterial da Humanidade, é coisa para estar profusamente difundido mundo afora, já como património bem material da Humanidade.

E, sim, este livro conta, também, com um poema de minha autoria, alusivo ao tema e, durante a sessão de apresentação, serão ditos alguns poemas, assim como quem bate, levemente, com o martelo na pedra afeiçoada… 

reflexão do dia

Depois do fado, temos o cante alentejano como património imaterial da Humanidade.
Congratulemo-nos e rejubilemos, irmãos! 
Vêem, vêem? Pela cultura é que nós vamos.
Será por isso que não temos sequer Ministério da dita?
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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