Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

amanhã, dia 07 de Fevereiro, em Coruche…

Três anos serão muito tempo ou quase nada, dependendo do ângulo pelo qual olhemos para a vida.
Esse foi, entretanto, o período já decorrido pela iniciativa um poema na vila, que Ana Freitas e um bom punhado de aventureiros leva a efeito em Coruche, com perseverança e galhardia – sim, galhardia, que ele há palavras que valem quanto pesam e não há por que as deixar cair no esquecimento.
Esta a ambiciosa e estimulante programação prevista já para este próximo sábado. 
E aqui fica o convite:

Quem não for… depois, não se queixe…

Um José – da grandeza das orelhas à pequenez das opiniões

José Rodrigues dos Santos achou por bem, ao comentar as eleições gregas, cair no demagógico, infantil e imbecilóide vício das generalizações ao proferir estrondosas banalidades, nomeadamente – e cito, do Sol – que «os gregos inventam mil estratagemas para não pagar impostos», ou «por exemplo, muitos dos gregos que passam a pé diante da casa do antigo ministro da Defesa – comprada com o dinheiro dos subornos do negócio dos submarinos – são paralíticos, ou melhor, subornaram um médico para obter uma certidão fraudulenta de deficiência que lhes permite receber mais um subsidiozinho».

Este exercício de tão subjectiva «objectividade» é jornalístico ou demencial?

Por si só, estas generalizações são, como já todos devíamos saber, SEMPRE injustas, bacocas e alarves. O que o JRS teria, também e por extensão, TODA a obrigação de saber enquanto jornalista encartado mas, aparentemente, faz por ignorar. Ignorância ou deliberação?

Nem TODOS os gregos são o que o JRS diz. Dimitris Christoulas, por mero exemplo que me ocorre, não o era. Aliás, teve uma dignidade que o JRS aparentemente nunca terá, pois liminarmente a «ignora». E qualquer UM, cidadão grego, que não seja o que o JRS diz dele, tem pleno direito para considerar o JRS, ele sim, como persona non grata na Grécia e enxotá-lo dali para fora, exemplarmente, por não saber comportar-se enquanto convidado de uma nação anfitriã que ele está a insultar soezmente com tais afirmações espúrias e num execrável exercício de jornalismo (se tal se lhe pode chamar…). 

Imaginemos que um qualquer
jornalista grego, depois de conhecer o JRS, afirmasse, aqui em Portugal e ali a
meio do Rossio, que os portugueses eram TODOS uns destemperados orelhudos e
tinham o tique abstruso de piscar o olho na hora da despedida.
Lá está. Cairia o Carmo e a
Trindade e com toda a razão, pois ele há, por aqui, muito boa gente que ostenta umas
orelhinhas bem mais mimosas e que nem sequer pestaneja quando enfrenta um
interlocutor.
Ou, sem sair da nossa Europa mas mantendo o tom imbecil da generalização, que
os alemães são uns nazis, os suecos uns suicidas, os ingleses uns bêbedos, os
espanhóis uns toureiros, os italianos uns mafiosos, etc., etc., etc. Será que o JRS tem andado a receber lições de diplomacia com o preclaro ministro Rui Machete?
O que subjaz, na verdade, nas
vulgaridades deste repórter de meia tijela é a incapacidade para apurar uma
oportunidade de esperança que o povo grego assumiu – goste-se ou não do Syriza,
que nem é para aqui chamado -, pois JRS será daqueles agentes da miserável «sociedade
do espectáculo» (vide Mario Vargas Llosa) para quem apenas o sangue é notícia e o foguetório é cultura.  
Entre a imbecilidade de Passos
Coelho ao falar, com tanta arrogância idiota como estupidez militante, da
«criancice» do programa do Syriza, até em abominável e vergonhoso desrespeito pela
diplomacia que lhe competiria salvaguardar nas funções que lhe estão cometidas, até este JRS, «jornalista» de
pacotilha, que nos deixa assim tão mal representados num crucial momento
histórico que o povo grego atravessa, há momentos em que sinto, porventura também
estupidamente, uma incomensurável vergonha por andar assim tão mal representado.  

Não se pode enxotá-los?

militância poética

Um pouco por aí fora, para não incorrer na desmesura de afirmar por toda a parte, sobrevivem e sobrelevam uns tipos que, enfim, apreciam a poesia. E fazem-na. E dizem-na. Vá lá saber-se porquê, ainda que seja muito mais árduo dizer porque não.
Foi o caso de mais uma homenagem a António Feio, que ocorreu no passado dia 24 de Janeiro de 2015, organizada pelo seu irmão Carlos Peres Feio e, desta vez, o
 apoio da Associação Mar d’Artes, sediada no Barreiro, .  
Vai sendo já uma verdadeira maratona, com nove sessões realizadas e participações diversas, adaptadas a cada lugar, contando com a participação local, ainda que com um fio condutor idêntico entre elas e alguns elementos fixos, chamemos-lhes assim..  
Colhe-se o exemplo de António Feio, apoiado por textos de Carlos Peres Feio, como pretexto salutar para se enveredar através de canções, também elas evocativas da vida do actor, e os poemas, também, que o seu exemplo de vida suscite.
Amadores, todos, na também saudável perspectiva de seres que amam o que fazem.   

– Ana Matos

– Mariana Loureiro

– Carlos Fernando Bondoso

– Raul Ferrão

– Alice Gomes

– Carlos Peres Feio

– Hugo Sampaio

– Jorge Castro

– Arthur Santos

– A equipagem
Talvez haja quem considere poder fazer mais e melhor. E ninguém o duvida, neste concerto do mundo. Mas estes fazem-no, para além de considerações.
– Fotografias de Lourdes Calmeiro

sugestão

Continuando a série de homenagens a António Feio, que têm ocorrido um pouco por toda a parte e com organização de Carlos Peres Feio, cabe a vez, desta feita, ao Barreiro.
Amanhã, pois, na Mar d’Artes – Associação Cultura & Arte, no Centro Comercial Park Center (onde se localiza a sua sede), pelas 21 horas , lá nos encontraremos. 

Até lá…

o preço a que está o cherne

Será este, porventura, um exercício simplório da mais sórdida inveja. Muito bem! E, já agora, um não menos bacoco exemplo de incompreensão infinita da res publica. O que só cai mal em espírito que se pretende informado q.b. e lúcido outro tanto. 
Será tudo o que quiserem, sem apelo ou negação – e já me está a ocorrer o Ary… – mas tratar assim o cherne, não! O que irão dizer (sentir?) todos os escamados que pululam os sete mares? 
E notem que este humilde cidadão que eu sou, tão escamado, aliás, como as demais espécies piscícolas que vagueiam pelos oceanos, não tem nada contra estes milhares todos de bênçãos que tombam, placidamente, no toutiço deste cherne. Nada disso! Eu só gostaria, mesmo, é que estas bençãos, quando nascessem, fossem como o Sol: para todos.   
Enfim, porque ele, o cherne, merece e com a devida vénia, deixo-vos aqui um poemaço do meu amigo cápê, a este (des)propósito:

O CHERNE

OK O`NEILL
Sigamos o Cherne
de Alexandre O`Nell
serviu para alguma coisa
serviu para a Uva
dizer ao Zé
ganharás o poder
meu ex-maoísta
meu sempre em pé
podes dele abusar


e se todos nós
os portugueses
seguíssemos o Cherne
estaríamos refastelados
em Bruxelas
com brutos ordenados
mas um país deserto
país não é
portanto fico
por cá a fazê-lo

prefiro o cherne
de preferência?
É cozê-lo.

cápê in Ó Simpático Vai um Tirinho?

Pois é… hoje, eu continuo a ser Charlie…

O contributo do meu amigo Ernesto Matos para o grande movimento de alerta das consciências, na sua defesa pela calçada portuguesa, a conferir um cunho muito pessoal e identitário:

«Portugal salvo pela Igreja»,  de 1975, com a coragem e o espírito lúcido de Wolinski

O resultado prático de não termos tido nós a coragem e o espírito lúcido de Wolinski

Sugestões

Eu, por cá, estive todo o dia de sábado dedicado à poda das minhas poucas árvores de fruto, pois entramos no quarto-minguante e informa-nos a sabedoria popular ser este o momento mais adequado para o efeito. Quem as tiver, por citadino que seja, não se esqueça…
Mas ainda ficou um pouco de tempo para deixar algumas sugestões para este próximo domingo. Por mim, não tendo, ainda, o dom da ubiquidade, não poderei estar presente em ambos, mas recomendo-os com a mesma intensidade.

Com o grupo Um Poema na Vila e Ana Freitas ao leme, por Coruche:

Com o CRAMOL e o Grupo Coral VivaVoz, em Oeiras:

Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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