Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

o narciso engravatado que escreve, piscando o olho

Sou um adepto incondicional da liberdade, nas suas infinitas manifestações, atitude que tento acompanhar sempre com um incontornável direito que cada um deve ter em assumir as consequências do exercício dessa mesma liberdade… de preferência num estado de direito e democrático – o que podendo parecer redundante, nem o é tanto.
Daí que o meu sorriso se alargue até às orelhas (honni soit…) ao deparar com estas parangonas recentemente aparecidas em milagroso mês de Maio:
– «Como não há os livros que gostaria de ler, escrevo-os eu»
Não haverá por aí ninguém que, parafraseando o conceito e não aturando este JRS, se disponha a fazer rapidamente outro? 
Dirá algum leitor mais objectivo que o dito se articulava com a saga a que o televisivo autor lançou mãos. Mas o certo é que quando ele diz que a sua trilogia é uma saga e que tal conceito não está desbravado em Portugal, omite duas elementares e gritantes sagas: uma, o lê-lo; outra, o aturar-lhe as piscadelas de olho… Por mim, confesso, chego a ter pesadelos! Mas tal deve-se, decerto, a problema meu e muito pessoal.
Já o dizerem-se dislates (in http://www.dn.pt/artes/interior/jose-rodrigues-dos-santos-o-fascismo-tem-origem-marxista-5189844.html) do calibre de «o fascismo é um movimento que tem origem marxista» ou, logo depois, que «o nazismo é inspirado em ideias muito populares nas democracias ocidentais…» e até o Carnegie Institute, em 1911, nos EUA, ter proposto  «que se matassem os deficientes em câmaras de gás», pelo que «os nazis nada inventaram», me provoca explosões de anti-corpos, pela incomensurabilidade da demagogia, absolutamente estúpida ou, pior, deliberadamente provocatória.
Enfim, resta-me a consolação de saber que os narcisos, férteis em terrenos pantanosos, são de existência breve e rapidamente se transformam em húmus da terra. 

para hoje, ainda a tempo

Apenas para relembrar: hoje, às 18h30, no Auditório do IHRU, organizado pela sua ACD, lançamento do primeiro livro de poesia “O Pica-Orelhas” (Caleidoscópio, 2016), 
de Fernando Pereira Alves. 
Vão estar presentes três poetas: Jorge Castro, Teresa Machado e Carlos Fernando Marques. 
Editor: Jorge Ferreira. Moderador: Vítor Graça. Metro: Praça de Espanha. Local: Avenida de Columbano Bordalo Pinheiro, n.º 5. 
Será servido um porto de honra.

apreciando a obra fotográfica de Jorge Bacelar
Gente Marinhoa

Uma recomendação muito séria: visitem a obra de Jorge Bacelar, a quem tive o ensejo de conhecer em exposição fotográfica patente na Associação 25 de Abril. 
Do que me sugeriu, emocionadamente, o seu olhar, tento repercutir sensações em forma de poema…

Mas comprovem o que digo visitando-o em:

RURALIDADES

era um espanta-aves o menino-ave no alto da árvore
e era um verde-mar naquele solto olhar do alto da vida
e ouve-se o riso de quem nos abraça de lá da vidraça
de teias de aranha e de mãos gravadas com sulcos de mar
e um crucifixo gravava o início da lide do dia
na parede escura onde se amanhava uma luz da rua

eram mil sorrisos no saco-capuz daquele contraluz
que coava a vida enquanto soava uma melodia
do boi que mugia da ovelha o balido e o cão que latia
na suave carícia que sulca em delícia um raio de luz
e era o bulício do constante início do árduo labor
de quem lavra o mar e a terra lavrada com o mesmo suor

uma bigodaça e o tempo que passa no abraço do vento
e um afago agreste mas doce que reste e que empreste amor
de rugas lavradas ao som de uma enxada que é já firmamento
tão rubra da seiva que deixa na lavra um rasto de flor

e um galo castiço trazendo o derriço da sua plumagem
no quadriculado onde um outro gato tecia dormências
ao colo do olhar tão feito de mar e torna-viagem
que nem esse mar nos seja capaz de tais abrangências

talvez uma fonte de risos de sonhos e de mãos calosas
nos dê o calor de sermos o ardor de cravos e rosas…

– Jorge Castro
19 de Maio de 2016

sugestão
– para o dia 13 de Maio, na A25A

Apresentação da obra a cargo de Luís Filipe Sarmento e Jorge Castro 
“escrito no mais puro sal ora do desânimo ora da coragem ora do amor ou da revolta e da denúncia o autor persegue-nos numa azáfama de sons cheiros auras ritmos como se nos quisesse ser uma festa permanente de sentidos e de pensares. um constante sobressalto de matizes sombras concretas e logo seguidas de apaziguamentos e ainda da racionalidade cognitiva que faz de alavanca para uma fé de sobrevivência.”
Isabel Mendes Ferreira (do prefácio)
Manuel Veiga nasceu em Matela, Vimioso (Trás-os-Montes), e vive em Bobadela, concelho de Loures. É licenciado em Direito, tendo exercido advocacia alguns anos no início de carreira, que depois prosseguiu como consultor jurídico em Municípios da Área Metropolitana de Lisboa e mais tarde como Inspector Superior da Inspecção Geral da Educação, onde desempenhou funções no respectivo Gabinete Jurídico. 
Entretanto, havia sido redactor de noticiários da Emissora Nacional e Copywriter de publicidade. Colaborou esporadicamente na imprensa diária, designadamente no “Diário de Lisboa” e em “O Diário”, e regularmente em revistas periódicas, sobre temas de natureza política, económica e social, designadamente, a revista “Economia EC”, a revista “Poder Local”, e a revista “SEARA NOVA”, integrando presentemente o Conselho Redactorial desta última. 
Para além “Do esplendor das coisas possíveis” (poesia), agora dado à estampa pela Poética, é autor das obras “Poemas Cativos” (Poética Edições, 2014) e “Notícias de Babilónia e outras Metáforas” (Modocromia, 2015).

brevíssimas reflexões interrogativas…

– O ensino privado, em Portugal, quer o quê? Ser público? 
– Porque é que as comissuras dos já de si estreitos lábios de Passos Coelho lhe estão a cair mais do que o cabelo?
– Quem é o ex-primeiro ministro de Portugal que um dia foi brincar às guerras, aos Açores, e veio de lá como moço de fretes, tendo sido recompensado, concomitantemente, com um alto cargo europeu?
– Alguém viu, alguma vez e porventura, o Passos Coelho numa inauguração de qualquer coisa, enquanto primeiro ministro? Como ele diz que não, nunca fez tal coisa, então, quem já viu, que lhe atire a primeira pedra…

1º de Maio
um cravo entre boninas

Se mão amiga me fez chegar a imagem abaixo, com açúcar e com afecto e apenas porque sim, aqui partilho convosco a  privacidade dessa partilha, a que juntei a minha resposta, assim em jeito de duas pessoas que têm de Maio um olhar muito seu mas que, vendo bem, está ao alcance de todos… 

– fotografia de Suzana G. Amorim
Nasce um cravo entre boninas
por entre um olhar da Suzana, espreita um ar de Jorge de Sena
nasce um cravo entre boninas
rubro o quanto o verde quer
grandes coisas pequeninas
margarida ou malmequer
de um mar de verde desponta
o rubro feito verdade
verde e vermelho que aponta
quais as cores da liberdade


– Jorge Castro

Memórias do 25 de Abril na Primeira Pessoa
– breve crónica

Numa iniciativa conjunta da EMACO – Espaço e Memória Associação Cultural de Oeiras
e A25A – Associação 25 de Abril, concretizámos a evocação do nosso Abril libertador, 
contando também com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, 
que nos cedeu, para o efeito, o Auditório Municipal César Batalha.  

Joaquim Boiça, em representação da EMACO…

… e Mário Simões Teles, pela A25A, deram as boas vindas aos presentes 
e promoveram a abertura da sessão

Em breve mas intensa Evocação de Abril

João Sobral, pela voz… 

… e Walter Lopes, com guitarra clássica, trouxeram-nos alguns momentos emblemáticos
 daquele dia inteiro e limpo…

 … com projecção de imagens alusivas, que contaram com o apoio de Eduardo Martins.
Aqui fica um destacado aplauso para estes amigos que tão desinteressada quanto empenhadamente, responderam ao desafio feito e que, assim, marcaram uma presença que engrandeceu o evento. 

Foi, como é bom de ver, diminuta a sala para o público que acorreu a estas nossas Memórias.

Coube, de seguida, a Martins Guerreiro dar início à mesa redonda – conduzida com notável mestria – através da apresentação de cada um dos nossos convidados:

Victor Birne (Marinha)

José Carlos Nascimento (fotógrafo), cujas imagens, de sua autoria, recolhidas em 25 de Abril de 1974, acompanharam a nossa sessão

Nuno Santos Silva (Força Aérea)

António Borges Coelho (historiador)

Menino Vargas (Exército)

Carlos Costa (professor)

Deste rico painel, rico em vivências como em poder comunicativo, tivemos o que seria de esperar (e merecíamos): uma partilha de  de experiências, contadas na primeira pessoa, que afinal, tantos anos passados, sempre nos surpreende pela diversidade vivida e multifacetada. Conclui-se, então, que desta visão popular do 25 de Abril de 1974 urge fazer-se a recolha e divulgação da miríade de histórias de vida que tornam tão mais intensas e brilhantes as cores do arco-íris desse dia.   

Por fim, a Poesia. 

Com Ana Patacho Jorge Castro

… excelentemente acompanhados por Walter Lopes

… provámos – todos –  que de Abril se espera, ainda e sempre, um modo de ser!
– Fotografias da autoria de Lourdes Calmeiro

celebrar o 25 de Abril…

… no próximo dia 23 de Abril (sábado), pelas 10 horas da manhã, no Auditório César Batalha (Galeria Alto da Barra – Oeiras) com a EMACO – Espaço e Memória Associação Cultural de Oeiras e a A25A – Associação 25 de Abril. 
Dar uma vez e sempre voz ao Abril que queremos, ao Abril que fizemos, ao Abril por que ansiamos – esse o objectivo desta sessão de que vos faço chegar o respectivo programa, em anexo.
O tema: Memórias do 25 de Abril na Primeira Pessoa
Para não esquecer: o Abril é feito de gente e de actos concretos. Porventura tantos como quantos, por tantas e tão desvairadas motivações, se emocionam ou vibram ao ver um cravo rubro de esperança. E por esses outros tantos a quem nos compete transmitir o testemunho.
Apareçam, pois. Sem a vossa presença, Abril fenece…
Abraços.

Nota – A imagem que compõe o programa é da autoria de Alexandre Castro

olha, é dia do beijo…

Destas manias desvairadas de se criarem dias de qualquer coisa por dá cá aquela palha, este caiu-me no goto. Então, sai uma quadra a propósito, esperando que todos façam o favor de ser felizes, beijando-se muito:
da
comissura dos lábios
acendeste-me
o desejo
de
te contar sonhos sábios
no
improviso de um beijo
– Jorge Castro
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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