Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

inquietação encalhada

O cargueiro encalhou no baixio junto ao Bugio. Para além da rima intempestiva, nada de novo a assinalar.

Mas a informação absolutamente colateral de que o cargueiro transportará areia para Marrocos deixa-me na maior das perplexidades:

  • ou a minha ignorância tem transcendências insondáveis e, como se apura, inexploradas…
  • ou uma questão terá certa relevância e apropósito: areia para Marrocos? Mas, então, o Sahara não fica ali tão perto…?

maratona de poesia em Oeiras
– 21 de Março de 2018

Em 21 de Março decorrerá a Maratona de Poesia, em Oeiras, em que também participarei.

Assim, a partir das 18 horas desse dia haverá farta escolha, distribuída por diversos espaços culturais localizados no centro histórico de Oeiras.

Segue o quadro geral, com indicação de horários e respectivos locais, bem como indicação de participantes e temas a abordar.

festival da eurovisão

Posso proferir uma frase lapidar? Então, lá vai: o festival da eurovisão é o que é e vale o que vale. Pronto! Está dito.

Posto isto, não falarei muito da canção mais votada, defendida pelo Diogo Piçarra, da qual não me agradou a pompa do seu anúncio contra os desconchavos da Humanidade para depois ver a expectativa frustrada através de um poema fruste.

De facto, tenho alguma dificuldade em entender o alcance, o nível poético, o impacto ou, até, a intenção de

Podem fazer muros/Mas não tapam a alma/Tu olhas para tudo/E não vês nada   

Enfim, não acolhi, pois, com grande pesar a desistência de Diogo Piçarra por esta e outras razões.

Por outro lado, para mim, tendo perdido, já ganhou P’ra lá do rio, de Daniela Onís.

Qualidade poética, tema prontamente assimilável, boa interpretação e boa presença…

Deve ser um fado meu simpatizar ou escolher sempre quem perde. Ou é de mim ou será dos júris… Ainda que com tanta gente esclarecida que por aí anda, não sei…

paisagística efémera II

Aparentemente infindável a capacidade de a beira-mar se mostrar beira-vida, nessa imensa diversidade…

espaço dunar I

espaço dunar II

espaço dunar III

desfocagem virtual

o efémero incongruente (ou a rampa de lançamento ao chão…)

um português, aqui

o equilíbrio sempre possível a-ver-o-mar

chuveirinho intervencionado

  • fotografias de Jorge Castro

paisagística efémera

Basta ter olhos de ver. Ter olhos de sentir. E a realidade transmuta-se nesse olhar. Ela, que sempre ali esteve, reapresenta-se: eis-me aqui. O que queres de mim? Ora, aprecia-me, vista daqui deste lado…

o repouso episódico entre voos e mergulhos

um olhar austero

à sombra da neblina

e o Bugio aqui tão perto

vestígios rupestres na areia com pegadas aleatórias

a navegação sempre atraiu as atenções

o corre-corre diário pelo sustento

todos os passos vão dar à neblina

quatro mosqueteiros com fortaleza ao fundo

há mais castelos na areia

olhos de água alienígenas

o que fica das águas passadas

malhas que a maré tece

impressão reflexiva

esculturas bidimensionais

uma cascata mais pequena do que eu

um só olho de água  – será outro Ciclope?

escultura arenosa com árvores ao fundo

uma baleia? e porque não?

  • fotografias de Jorge Castro

national geographic de trazer por casa

Das alterações climatéricas cada um se vai dando conta. Dos desvarios urbanos em carência extrema de zonas verdes e de mais ou menos frondosas árvores, também.

Cá por casa, a conjugação destes factores tem efeitos inesperados: por um lado, uma videira de uvas americanas, assim chamadas, que nos conforta com uma esplêndida sombra em tempos de Verão, tem evoluído, ano após ano, para uma sequência de produção de uvas, desfasadas no tempo, que prolonga a existência desses frutos até Fevereiro (!) de cada ano; por outro, dispondo de um pequeno mas muito verde espaço – que dá água pela barba a este cidadão muito urbano mas, principalmente, à minha-senhora-de-mim – conto com a visita diária de uma plêiade de vizinhos alados, que se servem à tripa-forra dos escassos bens que ali dispomos, mas que nos presenteia, ao mesmo tempo, com os seus cantos e encantos.

E os nossos pequenos-almoços ficaram largamente enriquecidos. As migalhas do pão que nos sobram complementam dietas, em tempos de maiores carências da invernia. Assim a modos que um toma-lá-dá-cá.

Para quem duvidar possa, aqui deixo uma pequena amostra, colhida apenas num dia – 02 de Fevereiro de 2018 -, sem grandes preocupações na qualidade da imagem, porque se privilegia  o testemunho, e, sim, uma singela fatia de felicidade inesperada, mas, agora, de repetição sempre ansiada… pelo menos enquanto houver uvas:

Claro que há sempre, em todas as coisas da vida, as abordagens subjectivas. A nossa gata, por exemplo, pratica os mais desvairados desportos radicais para conseguir desfrutar de outros prazeres para além dos que estes nossos vizinhos emplumados nos proporcionam a nós, humanos.

Mas também ela acede, por essa via – invariavelmente tentada e nunca atingida – a outra espécie de felicidade que o remanso da lareira no Inverno não lhe traz. E desespera-se para sair, em cada manhã, para a sua caçada, sempre perseguida e, salvo raríssima situação, nunca alcançada.

Mas, lá está, o caminho faz-se caminhando e a cada um o que a sua natureza lhe conceda.

ele há coisas que a gente nem percebe…

Existia, em Oeiras, fronteiro ao Forte de São Julião da Barra e em terrenos que se tornaram pertença da NATO, um monumento sóbrio, discreto, ainda que digno, que celebrava Gomes Freire de Andrade, herói dos ideais liberais, figura grande de quem, em Portugal, pugna pela Liberdade.

Herói vítima de circunstancialismos históricos, condenado à morte em circunstâncias trágicas, às mãos de um torcionário, ocorrência que, alegadamente, teria tido lugar no local onde estava erigido o monumento/cruzeiro.  

Recomendo, aos interessados, para um mais cabal e ilustrado conhecimento do assunto, a leitura de Felizmente há Luar, de Luís Sttau Monteiro. E, também, Raul Brandão, Vida e Morte de Gomes Freire de Andrade, 4.ª ed., Lisboa, Alfa («Testemunhos Contemporâneos, 14»)  1990 – que podem ler em 

http://www.arqnet.pt/exercito/freire.html.

Também darão o tempo por bem empregue através da consulta à Wikipédia, em 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gomes_Freire_de_Andrade.

Estão a ver aquele cantinho, no centro da fotografia aérea acima? Pois é, nunca percebi porque carga de água um monumento nacional sobre um herói português pôde, em algum momento, encontrar-se num local restrito e de acesso absolutamente condicionado.  Coisas…

Como se não bastasse, por força das impertinentes lógicas do extraordinário pato-bravismo reinante (apesar de em plena República…), um conjunto de «vontades» (ia dizer de interesses, mas…) decidiu que aquele pequeno espaço era absolutamente fundamental para erigir um mostrengo qualquer. E vai de trasladar o monumento sem que as forças vivas coniventes ou responsáveis prestassem contas a quem quer que fosse por  tal desmando municipal e nacional.

Pouco depois, do outro lado da via, a caminho de uma carruagem-bar, porventura com vergonha pela estultícia dos homens, o pobre monumento reaparece, escondido entre uns arbustos e, mais parecendo mera lápide funerária desviada de cemitério, depois dos tratos de polé infligidos àquele que o monumento homenageia, ficou como se pode ver, sequenciando (e, aparentemento, legitimando) o desmando do acima referido torcionário:

Alguém, avisado e informado, saberá dizer-me das razões profundas para tal despautério? Ou tratar-se-á apenas de um ligeiro período de hibernação até que ares mais saudáveis lhe devolvam a dignidade perdida?

Aqui fica, à consideração da Câmara Municipal de Oeiras, o testemunho de um português perplexo.

Escher

No Museu de Arte Popular, em Lisboa, está a decorrer (até 27 de Maio) uma exposição sobre a obra de Maurits Cornelis Escher (Holanda, 1898-1972), gravador, intelectual e matemático.

Desta exposição lavro testemunho do seu enorme interesse e aprazível disposição.

O executante gráfico do «impossível» deixou-nos um legado que prima pelo desafio ao comum entendimento do mundo que nos rodeia, suscitando uma muito rica e saudável inquietação (melhor dizer inspiração?) a quem olhe atentamente a sua obra.

Somente aqueles que tentam o absurdo conseguem o impossível.

Sou um artista gráfico de coração e alma, ainda que ache o termo «artista» bastante embaraçoso.

 

A ordem é a repetição de unidades. O caos é a multiplicidade sem ritmo.

Agora, com entradas a 11 €, fica-se, na verdade, com a sensação plena de que aquela cena de «estarmos a ir além da troika» é coisa que ainda permanece por aí…

primeira reflexão (e provavelmente a única) de um «condenado» à reforma

Dia 02 de Janeiro de 2018. Despertar pelas 7h30, pequeno almoço nas calmas até às 8h30. Um salto até à praia – seria desperdício tanto areal desprovido de gente… -, caminhada de cerca de cinco quilómetros – sim, sim, alguma queixa das articulações. Várias… – e, pelas 9h45, regresso a casa para um belo banho. 

E, assim, se inicia um novo ciclo… até à fase do triciclo, como provável regresso à infância… 

Deixo, para inveja de alguns e sugestão para outros tantos, a evidência do que fica dito:

com votos de um muito feliz e completo 2018

Passa um ano e o tempo passa e, sem querer, nem damos por ele passar. Mas é assim que se cumprem, por este espaço a que alguém, em hora inspirada, baptizou de Sete Mares,  13 anos e alguns dias de existência (que me habituei a comemorar no dia de passagem de ano, porque sim…).

Esse alguém, enviou-me, em 2003, uma mensagem assim:

Um beijinho grande da

Thita | 15-12-2003 12:47:31

e o Sete Mares tinha nascido, por entre afectos vários e um pouco como consequência natural da frequência num outro blog – Provérbios – que, sem premeditação, teve artes de congregar desvairadas e diversificadas personagens, com muitas das quais ainda hoje tenho o prazer de me cruzar, a cada passo, e que enriqueceram, sem sombra de dúvida, a minha vida.

Coincide, este ano, com a efeméride de ter concluído 40 anos de carreira contributiva e, com o jeitinho da idade que me é própria, ter passado a um novo patamar de vida, que adivinho e quero que seja, sobretudo, ainda mais livre e, por isso mesmo, libertador.

Partilho, assim, convosco, este momento… que espero revelar-se o mais longo e profíquo possível.

Assim sendo, aqui vos deixo, caras amizades, os meus votos de um excelente ano de 2018! E para quantos mais anos venham a seguir…

Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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