Sendo este um  espaço de marés, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.

azulejos da estação de comboios de
Duas Igrejas (Trás-os-Montes)

No Nordeste Transmontano, com a incúria a que estamos tão (mal) habituados, jaz morta e arrefece a estação de comboios de Duas Igrejas.

Terminal da linha férrea de Trás-os-Montes, quedou-se esta por Duas Igrejas – não chegando a Miranda do Douro por meia dúzia de escassos quilómetros -, por ser ali o local dos silos cerealíferos da conhecida «campanha do trigo» do Estado Novo – sim, que também ocorreu em Trás-os-Montes e não apenas no Alentejo. Enfim, levar pessoas até à capital do concelho não faria falta… Bastava alcançar os cereais.

Por estas e outras razões que a razão vai desconhecendo, antes como agora fazem-se coisas estranhas que se deixam, depois, desfazer estranhamente sem que, entre esses dois tempos, o cidadão se sinta envolvido, participante ou cúmplice.

Chamo a vossa atenção para o curioso do cartaz afixado e para a circunstância de todo o interior do edifício estar a ameaçar ruína. Ou seja, o eventual roubo está acautelado; a mais que provável derrocada, não sabemos… Sem mais comentários, aqui ficam as imagens:

escultura a propósito da actual situação no Brasil

Fantástica escultura do artista dinamarquês  JENS GALSCHIOT. Uma justiça obesa, ociosa e parasita,  sustentada  pelo povo miserável e quebrado com sofrimento. Nenhuma imagem  conseguira  retratar, de forma tão fiel como essa, o Judiciário brasileiro. Deveria haver uma réplica em frente ao STF*, em Brasília.

  * Supremo Tribunal Federal

Será apenas no Brasil…?

foi bonita a festa, pá!

25 de Abril, sempre, claro! Mas, a cada passo, também.

No auditório da Escola Sebastião e Silva, em Oeiras, teve lugar a nossa evocação anual do 25 de Abril de 1974.

Sessão organizada pela Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Oeiras, aqui representada por Francisco Santana, dando as boas vindas aos presentes, na sua qualidade de anfitrião,… 

… e pela EMACO – Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras, representada por Joaquim Boiça, secundando as palavras anteriores e fazendo um breve resumo das comemorações desta data em anos anteriores. De seguida anunciou a Mensagem da Direcção da Associação 25 de Abril, referente ao 44º Aniversário do dia inicial, inteiro e limpo,

… que nos foi apresentada pela Fátima Camilo

… perante uma audiência interessada.

 

De seguida, ouvimos o Grupo Coral ComSonante, com temas de Fernando Lopes Graça,…

… sob a direcção de Luiz Pedro Faro

Com João Paulo Oliveira e Jorge Castro tivemos cantares e poemas que de Abril se alimentam.

Jorge Castro

João Paulo Oliveira

E completou-se a sessão com o Grupo Coral ViVa Voz, composto por antigos alunos do Liceu de Oeiras…

… sob a direcção de Eduardo Martins.

Todos os presentes na sala entoaram, então, a Grândola, Vila Morena e dir-se-ia que, de tão bem cantada,

ali havia, se não ensaio forte, pelo menos uma forte grandeza de alma que toda a sessão nos invocara.

  • fotografias de Lourdes Calmeiro 

celebremos o 44º aniversário do 25 de Abril de 1974

No próximo dia 25 de Abril, a partir das 10 horas da manhã, a EMACO, em organização coadjuvada pela Associação dos Antigos Alunos do Liceu de Oeiras e com a colaboração de MAPA Associação Cultural e da Biblioteca Operária Oeirense, levará a efeito uma sessão evocativa do dia 25 de Abril de 1974, celebrando o 44º aniversário do dia inicial, inteiro e limpo em que emergimos da noite e do silêncio(…), como tão bem o definiu Sophia.

A sessão terá lugar no auditório da Escola Secundária Sebastião e Silva (antigo Liceu de Oeiras). Vejam a aliciante programação no cartaz:

Respiga-se da Mensagem que nos chegou da Direcção da Associação 25 de Abril evocativa deste aniversário e que será integralmente apresentada neste evento:

Quando há 44 anos os Capitães de Abril quebraram as correntes da ditadura, resgataram a Liberdade, abriram o caminho ao fim de uma guerra sem sentido e à Paz, e viram o povo português envolver-se profunda e entusiasticamente no processo de reconstrução da felicidade, sentiram-se profundamente realizados na iniciativa a que haviam metido ombros: o sonho de servir o seu povo, ideal maior dos militares, estava a acontecer, a realidade suplantava mesmo os mais ambiciosos sonhos.

A epopeia colectiva viria mesmo a tornar-se um acto único da História Universal(…).

o Dia Mundial da Poesia nas Caldas da Rainha

O Dia Mundial da Poesia, na verdade e tal como o Natal, é sempre que um homem quiser, como já referi em anterior entrada… Assim foi, no passado dia 14 de Abril, na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, com a Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha.

Tratava-se de comemorar os 15 anos de actividade desta Comunidade, em prol da cultura. Pelo caminho, dois poetas foram homenageados: Isabel Gouveia e Jorge Castro. Nem mais…!

Aqui ficam algumas ilustrativas imagens:

Palmira Gaspar

uma audiência confortável

Carlos Gaspar

Isabel Gouveia, a poetisa homenageada

o outro senhor poeta, JC, também homenageado

uma audiência interessada

Orquestra Juvenil de A dos Francos

O maestro Diogo Esteves

Rúben Dias

Victor Duarte

José Nuno Valadas

Iulia Sirbu

Ana Freitas

Ernesto Fonseca

Gabriela Rangel

Idália Silva

Maria Augusta Ambrósio

Participação do Grupo de Dança Super Flash

O Flash Dance é composto por

Beatriz Silva, Bruna Sacramento, Carina Pinto, Inês Montoia, Joana Fernandes, José Costa, Maria Miguel, Mariana Canas, Rita Costa e Viviana Semedo, sob a direcção de coreografia de Sónia Luís

Carlos Peres Feio

David Silva

Eduardo Martins

Graça Patrão

Joana Rodrigues

Mena Santos

Maria Portugal

Lucinda Pratas

Aida Reis, a Directora da Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha

Encerramento da sessão, entoando A Procissão, de António Lopes Ribeiro, em coro com o público.

 

Goa, um poema vivo

No próximo dia 15 de Abril, pelas 15h30, a convite da Casa de Goa e no seu auditório, em Lisboa (à Calçada do Livramento, nº 17) terá lugar uma sessão subordinada ao tema Goa, um poema vivo, na qual, com José Fanha e Ana Freitas, participarei na leitura de poemas alusivos ao tema proposto.

Haverá, também, danças e cantares de Goa – com a participação do Ekvat, bem como uma exposição de desenho, pintura e escultura de três artistas que visitaram Goa pela primeira vez

Programa aliciante – digo eu, com toda a imodéstia – mas porque me parece, na verdade, um aliciante programa, conhecendo como conheço a organização do evento.

Apareçam, pois, que a vossa presença enriquecerá, decerto, o evento.

o Dia Mundial da Poesia
e o 15º aniversário da Comunidade de Leitores e Cinéfilos
das Caldas da Rainha

No próximo sábado, dia 14 de Abril, pelas 14h30, na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, celebrar-se-á o 15º aniversário da profícua actividade da Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha, a par da celebração do Dia Mundial da Poesia.

Para além da programação – que podem ver no cartaz abaixo -, muito me honra ombrear com Isabel Gouveia na homenagem que terá lugar, pelo acompanhamento que sempre demos a esta Comunidade, no seu labor incessante e ao longo já de quinze anos.

Não ficando as Caldas da Rainha logo ali ao virar da rua, não será tão distante assim que não possa contar com a vossa visita para enriquecimento do evento. Apareçam, pois, que a boa recepção está assegurada…

Programa:

Damos a conhecer as linhas gerais do programa da Comemoração dos 15 anos de actividades da Comunidade de Leitores e Cinéfilos, Comemoração do Dia Mundial da Poesia e Homenagem aos Poetas Isabel Gouveia e Jorge Castro, na Biblioteca Municipal e dos principais participantes, No próximo sábado, dia 14 de Abril  na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha.

A Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha celebra o seu 15.º Aniversário, a 40.ª Sessão Cultural na Biblioteca, a Comemoração do Dia Mundial da Poesia e uma justíssima homenagem aos Poetas  Isabel Gouveia e Jorge Castro, que, com uma vasta obra literária publicada, são Membros Honorários da Comunidade de Leitores e Cinéfilos, há 15 anos colaboram com a Comunidade em todas as acções culturais e, entre outros prémios, receberam  Medalhas de Mérito Cultural, atribuídas, respectivamente, pelas Câmaras Municipais de Caldas da Rainha e de Cascais.

A sessão, como habitualmente, inclui  Poesia, Canto, Dança e Música, estando já garantida a presença, dos homenageados, Isabel Gouveia e Jorge Castro. Este ano, as participações especiais são, da Orquestra Juvenil da Vila de A dos Francosdirigida pelo Maestro Diogo Esteves, que vai tocar, Castle Hill Overture, de Anne McGinty; The Teempes, de Robert W, Smith; Celtic Air and DanceTequila e Land of Hope and Glory, de Sir Edward Elgar; da cantora e poeta Joana Rodrigues, de Lisboa e  do  Grupo de Dança Super Flash, dirigido pela Coreógrafa Sónia Luís, de Caldas da Rainha, que vai interpretar os temas de grandes clássicos do teatro e cinema musicais, O Fantasma da Ópera e West Side Story.

Também vão participar  os poetas, de Coruche, Ana Freitas, Ernesto Fonseca, Gabriela Rangel, Idália Silva e Maria Augusta Ambrósio; de Carcavelos, Carlos Feio, David Silva e Eduardo Martins e Graça Patrão; das Caldas da Rainha,  os poetas Mena Santos, Maria Portugal e Lucinda Pratas, e pela Universidade Sénior, António Vicente e Victor Duarte. Participam também das Caldas da Rainha, José Nuno Valadas e Rúben Dias. A sessão termina às 17.30 h.

P’ la Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha

Carlos e Palmira Gaspar

fui (fomos) reclassificado(s)… (?)

Presumo tratar-se de anedota… ou, talvez, não. Mas atendendo à sua laracha, aqui fica. Na verdade, fui, ao longo da vida, recebendo reclassificações profissionais, nomeadamente, que quase nunca fizeram grande sentido. Porque não mais esta?

OMS reclassifica conceito de jovem / idoso

Anteriormente, uma instituição Inglesa (Friendly Society Act) definiu, em 1875, que idosos eram indivíduos a partir de 50 anos…

A Organização Mundial de Saúde (OMS), terá feito uma nova avaliação do conceito de «ser jovem, ter meia idade e ser velho»…

01) menor de idade: 0 a 17 anos (alguns de 17, na verdade, parecem… – felizmente, nem todos);

02) jovens: 18 a 65 anos (este «alargamento» deixa-me cheio de um contentamento pueril ainda que inconsequente);

03) meia idade: 66 a 79 anos (exactamente onde se encontra a virtude: no meio! Lamentavelmente, nesse mesmo «meio» muitas outras coisas se vão perdendo…);

04) idosos: 80 a 99 anos (coitados…!);

05) idosos de longa vida: maiores de 100 anos (poderia sugerir-se a designação de idosos p.c. ou, até, gestores do tempo séniores, sei lá…).

  • Os itálicos são de minha responsabilidade.

a 105ª sessão das Noites com Poemas com o Júlio Conrado
– imagens e comentários

Existindo informação complementar, em entrada anterior, acerca das personagens deste nosso mais recente evento, cumpre-me, entretanto, destacar toda a especial envolvente deste encontro, em que contávamos, enquanto convidado, com Júlio Conrado (prosador, ensaísta, poeta…, enfim, escritor), falando de si na primeira pessoa, mas também excelentemente apresentado pelo Professor José d’Encarnação, que nos transmitiu uma visão inspirada e motivadora ao passear-se pela obra daquele nosso convidado.

Porquê esse destaque? Ora, porque estivemos com uma noite de vendaval chuvoso, de futebol televisivo e, para complementar o ramalhete de razões de dispersão, um espectáculo com o Jorge Palma, em Oeiras. E, ainda assim, cerca de cinquenta pessoas (heróis, heroínas? Combatentes, seguramente…) se deslocaram à Biblioteca Municipal de Oeiras para acompanhar esta nossa sessão! Notável e digno de realce, obviamente.

O Sexteto 5+1, que nos chegou de A dos Francos (Caldas da Rainha) e de quem se deve ressaltar, também, o espírito abnegado para calcorrear tanto quilómetro e em tais condições para esta partilha, constituiu um belo contributo a esta sessão das Noites com Poemas.

As moçoilas que constituem este grupo (e também integram a Banda Filarmónica e a Orquestra de Sopros de A dos Francos) são a Rafaela Esteves (clarinete), a Margarida Lourenço (clarinete), a Mafalda Filipe (saxofone tenor) a Beatriz Estevão (clarinete), a Ana Rita Louro (clarinete) e a Sara Lourenço (clarinete). E fica o merecido aplauso!

A obra apresentada trouxe-nos Carl Maria Von Weber, Robert Hinchliffe, Franz Liszt,Sarah Watts, Mark Goddard, Brian Chapple e Paul Harvey… Ah, têm pena de não ter ouvido? Pois é… para a próxima, já sabem: basta vir.

Carlos Gaspar, da Comunidade de Leitores e Cinéfilos das Caldas da Rainha – acompanhado pela «nossa» Palmira, sempre e bem -, apresentando o Sexteto 5+1.

Depois, um grupo de amigos, deambulando pela poesia de Júlio Conrado:

Francisco José Lampreia, Carlos Peres Feio, Eduardo Martins e Jorge Castro

  

Júlio Conrado celebra, em grande economia de tempo, os 55 anos de carreira literária, bem como a sua extensa bibliografia, que muito mais tempo mereceria. Felizmente, ao longo da sessão, foi decorrendo uma apresentação ilustrativa de muitos episódios e realizações da vida de Júlio Conrado, que, de algum modo, supriram o que a escassez do tempo sempre inibe.

A «mesa», com Jorge Castro, Júlio Conrado e José d’Encarnação

José d’Encarnação em interessada e interessante divulgação apologética da obra (e da personalidade) do autor

E a sessão, como habitualmente, decorreu depois com o tributo feito pelos presentes, a Júlio Conrado e a Carcavelos – território de afectos do autor – , em forma de poema a várias mãos:

        Francisco José Lampreia,

Carlos Peres Feio

   –  Graça Patrão 

 Lucinda Pratas

– Eduardo Martins

– Ana Freitas

 Francisco Queiroz…

                                         

– Jorge Castro, anfitrião honrado e grato por mais uma sessão de mão-cheia.

fotografias de Lourdes Calmeiro

o verdadeiro Capitão Gancho era português… – mas alguém duvidaria…?

Fui, há dias, em visita à muito interessante exposição Entre a Cruz e o Crescente – o resgate de cativos, patente na Torre do Tombo, em Lisboa, e associada à evocação dos 800 anos da fundação do Convento da Trindade de Lisboa,  que recomendo vivamente, pois dá elaborado testemunho de uma circunstância histórica muito pouco divulgada: o resgate dos captivos, que se revela, muito para além de mero exercício de soberania em conflitos vários entre países, mais como um lucrativo negócio, institucionalizado em diversos momentos da História.

A exposição desenvolve-se em torno dos seguintes temas:

  • A Ordem da Santíssima Trindade – a presença em Portugal
  • Um negócio piedoso – a apreensão de captivos
  • Uma obra mui nobre e pia – o resgate de captivos
  • O Convento da Santíssima Trindade de Lisboa – 800 anos de História

E assim foi que, nesta exposição, descobri a existência de um captivo – nascido lá pelos idos de 1656, no lugar da Ribeira dos Flamengos, ilha do Faial, nos Açores – de sua graça José Cardoso, em prestação de serviço como tripulante em nau portuguesa, que fora aprisionado  por navio pirata de Argel, com a idade de 18 anos.

Aos 42 anos, após uma vida repleta de aventuras mais ou menos desgraçadas – foi de escravo a capitão de embarcação pirata, e tendo, entretanto, adoptado o nome de Mustafá Gancho, esse mesmo! -, acaba nas mãos da nossa Santa Inquisição, após captura da embarcação que, na altura, capitaneava, acusado de ter aderido à fé muçulmana…

O nome estranho seria proveniente do senhor turco a quem fora vendido como escravo (Mustafá) e o Gancho estaria associado a uma deformação na mão direita, resultante de ferida em combate, pelo qual passou a ser conhecido.

Mas há lá alguma costura do mundo onde não tenha estado um português a meter o nariz? Até o Capitão Gancho!!!

E quantas aventuras cinematograficamente desperdiçadas! À consideração do Presidente Marcelo, a eventualidade do resgate da sua imagem aventureira…

Se subsistirem dúvidas nos vossos espíritos, podem sempre consultar as fontes:

http://arlindo-correia.com/100513.hotmail

http://wwlw.rtp.pt/acores/graciosa-online/o-pirata-dos-flamengos_51019

NOTA FINAL – Eu sei que o folheto da exposição refere «o resgate dos cativos». Mas não consigo habituar-me à ideia de que esses tais «cativos» possam tê-lo sido através de alguma «catura»… Assim, pois, CAPTIVOS, vítimas, sim, de uma eposódica CAPTURA.

 

Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas
– Federico García Lorca

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