Magnífico conjunto arquitectónico, actualmente classificado pela UNESCO como património mundial, testemunha-nos grandezas e mistérios passados… ao lado de algumas fraquezas da nossa História mais recente…
A profusão decorativa, o rendilhado da pedra, a emprestar elegância e leveza à força bruta, não cessa de causar a minha admiração, até pela mestria das mãos que a executaram…
A profusão de claustros, a arquitectura e beleza cenogáfica de cada recanto, podem recomendar horas de contemplação.
A charola (século XII), em fase de restauro, é destino obrigatório…

… tanto quanto a janela do capítulo, do convento, da autoria de Diogo de Arruda, ex-libris deste conjunto monumental.

Um pequeno senão: se excluirmos o senhor que cobrava as entradas e a senhora que se afadigava, junto à charola, para que ninguém «fotografasse com flash», não topei com ninguém que pudesse ser interlocutor da visita. Também a loja encerra, salvo erro, entre o meio-dia e trinta e as duas da tarde, por falta de pessoal – ou de verba disponível, digo eu…
Sem estar para aqui com paranóias securitárias e apreciando mesmo alguma ausência (ou discrição) de vigilantes cuja imposição de presença pode incomodar o enlevo de uma visita deste tipo, verdade é que alguma presença humana institucional se recomendaria, como aconselhará o bom senso e atendendo a algumas posturas de «crianças sem pais à vista» e de adultos curiosos e recolectores em demasia. Nem oito nem oitenta…
Cá fora, já no estacionamento – que, para não destoar do panorama nacional, toda a gente parece ter-se esquecido de concluir e rematar, cheio de buracos, pedras soltas, poeirada e outras minudências -, uns poucos postos de venda, com fruta e outros mimos da região, que não me pareceram nada mal.
Já profusamente abastecido com os bons sabores dos velhos tempos – ah, as delícias da fruta fresca sem frigorífico! – louvo, então, esta iniciativa individual e muito privada – quem sabe um bom exemplo de parceria público privado… -, que não deixa de representar uma mais-valia à visita e – porque não? – uma originalidade nossa, de qualidade, em destino turístico.
Como fica provado, até os olhos se riram…
Descendo até Tomar – onde não encontrei, nos restaurantes onde procurei, um prato típico da região, com a honrosa excepção de um doce de ovos, ficando-me pelo que se come de norte a sul – revisitei o jardim em volta do rio Nabão…
… onde, em certo trecho, me imiscuí numa eterna conversa e mantive o diálogo possível com o maestro Fernando Lopes Graça e Fernando Araújo Ferreira (poeta e homem de cultura da terra). Na verdade, o Sol estava a pino e o conjunto, em bronze, fervia…
Junto à praça onde se encontra a estátua de Gualdim Pais, o fundador da cidade, não pude deixar de notar que, no meu lado direito não visível na fotografia, e tendo por trás de mim o edifício da Câmara, existia um lugar de estacionamento privado da autarquia.
De regresso a casa, uma paragem junto ao Castelo de Almourol. Um barquinho, no cais, que transporta os visitantes por 1,5 € (ida e volta) – que não dão, aparentemente, direito a que o senhor barqueiro auxilie nas entradas e saídas dos passageiros -, numa viagem de 5 minutos… e, depois, o deserto. Ninguém e nada que nos despertasse para a aura de mistério e romantismo que este lugar evoca…
Uma vez mais, adivinho a falta de verbas (e de visão), que devem estar a ser arrecadadas para os tgvês das megalomanias, enquanto o passado e o presente se nos esboroam aos pés, apenas deixando lodo e areias para o futuro…
De resto, uma esplêndida vista para ambos os lados do Tejo, num castelo absolutamente sem recheio algum, para além daquele que as pedras sustentam…
Fica no ar uma certa nostalgia pelo futuro, que, do passado, parece não haver nada para dizer. Uma certa amargura e acidez, também, talvez induzida pelo excesso de Sol, mas isto de destinos de férias nem sempre nos saem de feição, a cem por cento.