Alguém, por uma destas manhãs, sentiu súbita quebra de tensão, desmaio, vertigem, indisposição aguda geral…
  1. Pediu auxílio e, acompanhado por familiar, dirigiu-se ao Centro de Saúde da área de residência. Aí, por ausência (corrente) de três elementos do corpo clínico, não havia qualquer capacidade de resposta para situações de emergência médica e o paciente foi encaminhado, pelo pessoal do Centro…
  2. … para o Catus (cerca das 11 da manhã), sendo que veio a confirmar apenas poder aí ser atendido a partir das 16h30, por ser esse o horário do estabelecimento. Como o quadro de indisposição tendia a agravar-se, sem compaixão pela lenta marcha dos ponteiros do relógio, o paciente foi levado pelo seu acompanhante para a urgência do…
  3. … Hospital X – chamemos-lhe assim. Aí foi de imediato prescrito e ministrado determinado medicamento… ao qual o paciente é profundamente alérgico. Ninguém lhe tinha perguntado nada, nem dadas especiais informações acerca do que estava a acontecer.
  4. Socorrido em aflições de “ai-jesus”, foi, entretanto, com assinalável zelo burocrático, descoberto que a área de residência do paciente não se “coadunava” com aquele Hospital X, sendo, de imediato, transferido – em ambulância -, após estabilização do quadro clínico, está bom de ver…
  5. … para o Hospital Y – chamemos-lhe assim. Entretanto, o acompanhante – já com um dia de trabalho perdido – foi tranquilizado quanto à evolução do sobressalto, aconselhado a ir para casa e a deslocar-se, no dia seguinte, ao Hospital Y, para acompanhamento da situação (como é apanágio de acompanhante que se preza…)
  6. Este acompanhante tem a grata surpresa de receber um telefonema do Hospital Y, À UMA HORA DA MANHÃ, já de pijama e a meio do primeiro sono, onde uma voz impessoal o informa que deve deslocar-se de imediato ao Hospital Y, pois o seu familiar acabara de ter alta.
  7. Aí encontra o seu familiar, já recomposto da indisposição (benza-o Deus!), semi-nu, trajando uma vaga bata peregrina e a tiritar como as varas verdes da metáfora, sentado numa cadeirinha num corredor inóspito do Hospital Y, à espera de alguém que o levasse para casa.
Moral da história: Em caso de aflição, chamem uma ambulância e deixem-se de esquisitices. Muito preferencialmente, evitem adoecer.
Comentário: esta historinha – que, como podem imaginar, não me foi contada… – documenta tristemente o estado deplorável da Saúde, em Portugal, e de como, ainda assim, nela se gastam rios improfíquos de dinheiro, em imenso desrespeito pela dignidade do indivíduo. Caso pontual, dir-me-ão? A realíssima P que os P – chamemos-lhe assim…
ENTRETANTO, PORQUE HÀ MAIS VIDA PARA ALÉM DO BALHAMEDEUS,
AQUI FICA UM CONVITE:
na Biblioteca de São Domingos de Rana, a 15 de Fevereiro, mais uma
Noite Com Poemas:
Namoro – A Carne Vale