noites com poemas
com Jorge Nuno Silva

Naquilo que, por caminhos trilhados, tende a tornar-se um eterno retorno, reiniciaremos as sessões mensais das Noites com Poemas, no próximo dia 20 de Setembro (sexta-feira), pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais – São Domingos de Rana.

Como convidado para esta sessão, contaremos com o matemático Jorge Nuno Silva, o maior especialista português em jogos, que apresentará a sua recente obra O Livro de Jogos de Afonso X.

Trata-se da edição em português, do primeiro livro europeu de regras de xadrez,datado do séc. XIII. No final, o autor apresentar-nos-á, ainda, alguns truques de matemagia.

Entre os jogos de espelhos em que vamos evoluindo e a necessidade urgente de se buscar, também, o lado lúdico da Vida, esta proposta surge-nos, pois, com uma actualidade óbvia.


Os lugares, como sempre, aguardam-vos e há sempre lugar para cada um. Apareçam, então, para que o jogo se enriqueça…

palavras para quê…? Há os que os têm no sítio (aos argumentos, claro) e outros que mal deles se lembram…

26 de Maio de 2013

Exmo. Senhor PRIMEIRO-MINISTRO
A/C do Senhor Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro
Rua da Imprensa à Estrela, 4
1200-888 LISBOA

ASSUNTO: PENSÕES DE REFORMA DO REGIME GERAL

Verificando que os críticos têm ignorado a vertente mais importante da questão, decidi vir hoje junto de V. Exa., chamar a atenção para um atropelo que tem vindo, escandalosamente, a ser, feito pelo Governo que dirige. Trata-se do esbulho de que as Pensões de Reforma têm vindo a ser alvo. 
Na verdade, sou daqueles que compreendem muito bem que este Governo recebeu uma herança verdadeiramente dramática, dos Governos que o precederam: dramática pela gravidade da situação para que se arrastou o País, e dramática, para nós, cidadãos portugueses. Por isso sei bem que o único caminho a percorrer, por quem governa, seja o da redução profunda das despesas do Estado e o do aumento, dentro de parâmetros socialmente aceitáveis, das receitas. E também sei compreender que se trata de uma tarefa penosa e desagradável, para quem tem de a desempenhar para salvar Portugal do fosso para onde foi empurrado, sobretudo, pelos consulados despesistas e inconscientes, dos socialistas. 
Por outro lado, sei bem, tendo pelo meu lado toda a legislação aplicável, que o dinheiro com são pagas as Pensões de Reforma do Regime Geral, não é, de modo algum, uma despesa do Estado. O Estado é apenas o fiel depositário das prestações que os trabalhadores e as empresas, mensalmente foram entregando para prover àquilo que a lei chama de pensões diferidas. 
Esclarecendo com o exemplo da minha situação, já que ela é típica. 
Trabalhei durante 37 anos numa grande empresa do Norte do País e, todos os meses ela depositava cerca de 1/3 da minha remuneração, – 8,5%+21,5% -, o que, feitas as contas, representa, durante esses 37 anos, mais de 12 anos do meu vencimento, – 148 meses. Esta enorme quantia foi entregue ao Estado para que este a aplicasse da forma mais rentável possível, e de modo a com ela me pagar os benefícios imediatos, (doença, sinistro, abono de família, etc.) e, quando eu atingisse os 65 anos, me entregasse, mensalmente, o valor das pensões diferidas, (Pensões de Reforma, de Invalidez, de Sobrevivência e Subsídios por Morte e de Funeral), tal como o Estado tinha estabelecido através de Lei própria. Muitas foram a vezes que os governos usaram esse dinheiro, para se financiarem, pagando-o, mais os respectivos juros, até ao 25 de Abril. Depois, segundo o Dr. Bagão Félix, a dívida tem aumentado, atingindo já as dezenas de milhões de euros. O que prova, de modo inquestionável, que esses montantes não eram, e não são, pertença da Finanças Públicas. Ninguém pede emprestado a si próprio! 
Se as pensões fossem criadas, ao longo do tempo, por contrato com uma Companhia Seguradora – tal como acontece em muitos Países -, tais empresas privadas, fosse qual fosse a sua situação financeira, teriam de cumprir o que fora contratado pelas partes. E, se o não fizessem voluntariamente, os Tribunais as obrigariam, indo até à penhora dos seus bens, para o efeito.
Assim como os Bancos, são fieis depositários do dinheiro dos cidadãos, mas sempre que estes dele precisem, são obrigados a entregar-lho. 
Portanto, e perante o que expus, fica perfeitamente claro que o Governo, ao tirar-me vultuosas quantias da minha Pensão de Reforma, desde 2011, tem estado a abusar do seu poder, ultrajando a legislação em vigor. Tomou como seu, o que não o é. 
Os pareceres, quer do Tribunal Constitucional, quer de antigos ministros ou de comentadores especializados, não têm contemplado este facto insofismável que, só por si, torna inúteis os restantes fundamentos que têm aparecido na comunicação social. A questão da equidade levantada pelo TC, é perfeitamente lógica, tal como a questão do tom confiscatório das medidas tomadas, também está correcta. Como está perfeitamente certa, a alegação de que o Governo está esmagar os reformados por estes não terem qualquer tipo de força para se lhe opor. 
Mas o fundamental é saber se o Estado é, ou não é, uma “Pessoa de Bem”. E se o Estado pode usar, para os seus próprios gastos, dinheiro que pertença aos cidadãos. 
Foi com um justificado espanto que, tomei conhecimento que V. Exa. teria dito, acerca da legitimidade ou ilegitimidade dos cortes nas Pensões de Reforma, que a maioria dos pensionistas não tinha contribuído completamente, para o valor das pensões que estava a receber. Só se o Senhor 1º Ministro tivesse em mente as reformas dos políticos, se justificaria tal afirmação. Os pensionistas do regime geral auferem, no momento da sua reforma, uma percentagem equivalente 2% por cada ano de trabalho, aplicada sobre um salário médio calculado com base nos 10 últimos anos, e que é corrigida (negativamente) pelo valor médio de toda a sua vida contributiva, devidamente actualizado por índices que o Ministério da Finanças anualmente publica. Deste modo, o valor da pensão está intrinsecamente ligado ao número de anos de trabalho que o pensionista apresenta à data da sua reforma. Que as pensões políticas devam ser, de imediato normalizadas ou até, em muitos casos extintas, julgo que não há ninguém que não esteja de acordo. Mas no regime geral todos os pensionistas pagaram, antecipadamente, o direito à sua pensão. 
Não deixa de ser pouco compreensível que os Ministro deste Governo ignorem a Regulamentação da Segurança Social, sendo evidente que os senhores da “troika” a ignoram completamente. Teriam, eles, pensado que as pensões eram uma liberalidade do Estado e, como tal, uma despesa de tesouraria? Só desse modo se pode entender a sua determinação em mandar cortar nas Pensões de Reforma. 
Os comentadores, críticos das inimagináveis políticas de usurpação dos bens privados levada a cabo pelo Governo, têm baseado as suas críticas na injustiça que delas decorre para aqueles que, após uma longa vida de trabalho, vivem exclusivamente da sua pensão de reforma. Embora sendo evidente que assim é, esquecer, no entanto, toda a fundamentação legal, que aqui citei, será ver os pensionistas como um grupo de “coitadinhos” a quem o Governo está a tratar mal. E é óbvio que não isso que está em causa. Os pensionistas não precisam da “caridade” do Estado, mas sim, que este se comporte como uma “Pessoa de Bem”. 
Para os efeitos julgados necessários, mais informo que irei dar a publicidade possível a esta carta. 
Esperando a compreensão de V. Exa., subscrevo-me, apresentando os meu respeitosos cumprimentos 
Fernando Mota Ranito
Contribuinte Nº 110738489
Praceta José Fernandes Caldas, 162 5º F 4400-480 Vila Nova de Gaia”

sugestão
– homenagem a António Feio

Para hoje, ao iniciar-se a noite, evocaremos António Feio, no Palácio do Egipto, em Oeiras, no espaço Chá da Barra Villa e com organização do mano, Carlos Peres Feio.
Porque aquilo que de nós resta é a memória e os caminhos trilhados pelos sobrevivos têm mais cor e sabores quando se sedimentam no legado que nos deixaram aqueles cujo exemplo nos orgulha por sermos quem somos, enfim, por sermos gente, lá estaremos. Com gosto, por afecto. 
Por sermos gente.

sensualidades
poesia de Maria Mamede

Saturado até ao indizível com as notícias dos «noticiários», foi com prazer maior que acolhi o novo livro de poemas de Maria Mamede, Sensualidades (edição da VersBrava, Março de 2013), trazendo-me fragmentos vários da outra vida (talvez com maiúscula, aqui…?) que devemos saber viver.
Deixo-vos uma breve amostra que, espero, atice o imaginário de cada um… Também para tanto deve servir um poema!
Dentro de mim
há algo de bravio
que acalma
com teu beijo
sensual
e faz crescer
em ânsias sem igual
o enorme desejo
o desafio
do regresso
ao pecado original!

uma flor na madrugada

– Em homenagem aos bombeiros mortos nos incêndios de 2013 e na hora em que nos morreu mais uma jovem de 21 anos, Cátia Pereira Dias, combatendo por nós um estéril e criminoso incêndio.
uma flor
apenas despontada
na negrura desolada da colina

uma flor só
e assim bem mais que nada
no silêncio agora frio de neblina

uma flor que nos grita
e à madrugada
a coragem de estar viva que a anima

uma flor tão ridente
e esperançada
que jamais deixará de ser menina.

– Jorge Castro
29 de Agosto de 2013
Nota – Sugiro uma visita a http://bombeirosparasempre.blogspot.pt/, onde poderemos colher informação importante sobre esta realidade.
Presumo, também, que face aos contornos de toda esta tragédia, alguém de bom senso deveria ter já decretado luto nacional. Seria um mínimo de humanidade…

Sugestão para fim de férias (para quem as tenha tido e para os demais…) com poemas

Com Ana Patacho e de algum modo como início da nova «temporada», aqui deixo uma sugestão, com chá, amizade e poemas, pelo menos para aqueles de entre vós que se encontrem nas proximidades de Oeiras ou de Carcavelos.

Quinta-feira, dia 29 de Agosto, no Bule, pelas 22h00 iremos fazer Viajar as Palavras. Aceitam a boleia?

Passaremos por José Afonso, Vasco Graça Moura, Luís de Camões, Carlos Drummond de Andrade, António Lobo Antunes, Mário Henrique Leiria, Ary dos Santos, António Gedeão… uma viagem com etapas bem apelativas, como se pode ver.