(Proposto ao Passatempo DN – Histórias Cem Palavras – Marcado Por Um Livro)
GUERRA EM PAZ
Luís Guerra era um leitor compulsivo. Nem a recruta o desviava dessa necessidade premente, como quem respira.
Livro entalado no cinto, apresentava-se naqueles preparos em plena formatura, o que lhe valia intermináveis sermões do nosso alferes Alfredo, para gáudio da maralha.
Um dia, tudo ultrapassou os limites. Um demasiado grosso volume sobressaía-lhe das calças, tal mochila deslocada.
O alferes perdeu a cabeça: “- Chega!… P’r’às latrinas e já! Nem que as limpes com a língua, quero aquilo que nem espelho!”
Luís desfruta, agora, a leitura tranquila de “Guerra e Paz”, de Tolstoi, afastado do bulício da parada.